Através do canto vivo e destemido de uma vareira em terra, iniciamos uma viagem pela vida quotidiana da comunidade piscatória de Esposende no início do século XX.
Entre a pesca e a agricultura, o peixe e o sargaço, a fartura e a escassez, também as personagens envelhecem ao longo desta narrativa, como se as quatro estações do ano marcassem o ritmo de uma vida inteira de saudade.
Nesta impressão iconográfica de um passado tão à portuguesa, cabe a velocidade inacessível da natureza, a tentativa hercúlea de sobrevivência de uma comunidade pobre mas inquebrável e o compromisso profundamente amoroso entre quem fica e quem vai: “diz-me tu porque hei-de confiar / que além de mim / também esse mar te ame?”.
Por fim, em jeito de elegia, esta viagem termina na evocação de uma tragédia marítima real. Salvar, nesta Torre da Memória, o eterno reconhecimento de Quem é do mar – para os que lá ficaram e para os que buscam, qual gambiarra acesa no escuro, a esperança do futuro possível.