1ª obra – Desconheci-me, de Camila Menino
2ª obra – Ah, tu é que és o meu rapaz, de Sara Ross
É sempre um desafio encontrar os elos de ligação entre duas obras escritas por duas pessoas diferentes. Este ano, a este desafio junta-se o peso de uma temática que cuja natureza exige, acima de tudo, justiça no discurso. Mas o que é isso de ser-se justo?
De alguma forma também é essa a pergunta que aqui se coloca. Sobre a justiça do meu olhar sobre as obras “Desconheci-me” da Camila e “Ai, tu é que és o meu rapaz” da Sara. Mas há outras justiças, outros olhares, outras perspectivas que aqui se atravessam em cena e que, espero, vos atravassem a vocês.
A narrativa, desconstruída, propõe: corpos que se emprestam às palavras e às histórias de outros(as), de todes.
Uma mulher – um corpo sem memória – numa cama de hospital. E há algo que não desaparece mesmo que às portas do fim. O silêncio, o segredo, a vergonha, uma vida de violência. Que justiça é esta?
Uma mulher – um corpo com memória – numa sala de tribunal. E um juíz que se serve da Bíblia para auferir perdões e condenações. Que justiça é esta?
Cinco corpos, cinco músicos que se emprestam como narradores omnipresentes, por vezes protagonistas, à pergunta: Que justiça é esta?