Anatomia de um lugar
De madrugada, ela veste a bata e limpa a sala de espera, enquanto assobia uma ária de Carmen. As sopranos vão chegando para a audição. Ela avisa-as de que nenhuma será escolhida para o lugar. Sempre foi assim. Mas elas prestam provas, nada as demove. Quando ao fim do dia, um altifalante anuncia que ninguém ficou, a exaustão toma conta delas. Desta vez será diferente. Será?
Assim se apresenta um processo de investigação para uma futura ópera, a estrear em 2028. Reunimos uma equipa de criativos, recolhemos histórias, ensaiamos conceitos, gestos, cumplicidades, desbravamos terreno, aproximando-nos do tema: ser Soprano – esse estranho modo de vida marcado por um imenso espartilho patriarcal.
Sobre o Contrapartituras
O Contrapartituras – Laboratório de Ópera e Música em Cena surgiu da vontade do Quarteto Contratempus criar oportunidades de fruição e exploração de música de câmara em cena, promovendo a criação e a exploração artística alicerçadas na tecnologia e nos cruzamentos disciplinares.
Na edição 2025, o Contrapartituras partiu de um mote, uma frase que serviu de ponto de partida para a exploração: “Para onde vamos?”.
Noutras edições, o Contrapartituras explorou a partir das frases “Desatamos todos a rir como se tivessemos medo de já não saber chorar”, em sequência da crise pandémica; “Até que a vida nos separe” – sobre violência contra a pessoa e “Água traz, água leva”;
O que é essencial para o Contrapartituras é a procura de novos discursos artísticos que investiguem e explorem a música de câmara em cena, procurando na ópera, formas de expressão diferentes daquelas que já conhecemos.
Nesta quinta edição do Contrapartituras, o QC vai utilizar o laboratório como parte e aprofundamento do processo criativo da Ópera “A soprano deve morrer/viver” (título provisório, que estreará em 2028.
República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes
Sinfonietta de Braga